Um dia desses me peguei pensando que já não tenho mais aquela ansiedade da juventude, que faz a gente viver como se a vida fosse acabar no dia seguinte, e de repente, tudo toma uma dimensão tão grande e acaba virando um dramalhão mexicano. É uma urgência infindável de tudo. Calma, dá pra respirar bem fundo e ver que a vida faz a curva logo ali a frente, numa esquina qualquer. Ela não acaba depois da meia-noite. Pelo contrário, o sol volta mais lindo e mais forte no dia seguinte – se não estiver chovendo é óbvio. Se parar pra pensar, a vida nunca acaba, pois há reencarnação, mas aí já é papo para outro pôr-do-sol. E por falar nisso, ontem peguei um ônibus lotado e isso me deixaria muito irritada em outros tempos, mas ao contrário, aumentei o som do mp3 e curti o final do domingo pela janela do bus, saboreando o vento na cara pelo simples prazer de estar na estrada, mesmo que seja de Guaíba até POA.
Começo a pensar que preciso decidir certas coisas importantes para o futuro, como por exemplo: ser ou não ser mãe??? Eis a questão!!!! Acredito que 99% das mulheres tem isso bem resolvido e só esperam o homem dos seus sonhos, a realização profissional ou seja lá o que for, mas a questão para elas é somente QUANDO serão mães. Estou incluída nesse 1% que não sabe o que quer. Tem horas que sim, tem outras que não. Gostei de uma frase que ouvi no filme da Julia Roberts: “ter um filho é como fazer uma tatuagem na testa!”. É pra sempre! Isso foi por causa do chá de fraldas que fui no sábado, não adianta, acabo sempre voltando a essa questão. Mas isso não chega a ser um problema, a única coisa que me irrita profundamente é o tal do relógio biológico, que mais parece um revólver apontado nossas cabeças dizendo: “seu tempo está acabando, decida-se logo por favor!”. Ainda bem que ter um filho depois dos 40 já não é tão perigoso assim. Ufa!!! Mas será que quero mesmo? Hehe, meu ascendente é libra tá, dá licença, decidir não é tarefa simples para mim.
Outra coisa que me vi fazendo e fiquei assustada: escolhendo cardápio e cozinhando pro almoço da semana!!! Quem me conhece sabe o que sempre digo: "eu não gosto de cozinhar, prefiro fazer doces". Pois é, acho até que estou gostando de cozinhar, já que meu organismo adoentado me forçou a isso, vou matar dois coelhos com uma cajadada só e economizar dinheiro.
Sempre adorei a história do Peter Pan e a idéia de nunca crescer, mas não dá né, tem encarar a realidade, o melhor disso tudo é saber que a criança interior está viva, ajudando nas decisões da vida adulta. E quanto às dúvidas, algumas têm que ser pensadas, mas não muito, por que no final das contas, a vida é como a carroça cheia de abóboras que, no caminho, se encarrega de acomodar tudo no seu devido lugar.
Muito lindo! Fiquei emocionada! Bjs
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