quinta-feira, 2 de junho de 2011

Por quanto tempo ficamos em luto?

Há alguns dias atrás descobri o que até agora nenhuma psicóloga, psiquiatra, xamã, feiticeiro ou qualquer coisa do tipo jamais descobriu: Meu coração estava em luto! Foi algo muito claro, quase que ouvi Deus me dizendo: "Sai desse luto minha filha!"

Luto? Quem morreu?

O amor morreu....por muitos anos sofri um luto que parecia não ter mais fim. Acho que não queria aceitar a morte do amor que senti por tantos anos. Talvez fosse como admitir que tudo se foi. Sim, de fato tudo se foi, ficou  no passado, é só uma lembrança. Mas há uma lembrança. Por pior que seja sentir saudades, eu tenho do que lembrar, eu vivi aquela história e tudo foi real, foi verdadeiro, intenso, mas morreu.

Sempre tive grande dificuldade em lidar com a morte. Ela é invencível não é mesmo? Ninguém pode com ela. Mas pior não é encarar a D.Morte, pior mesmo é seguir em frente. Quando perdemos um ente querido, por mais que a dor pareça não ter fim, mais cedo ou mais tarde nos conformamos.

É difícil dizer o tempo que leva. E muitas vezes mentimos pra nós mesmos, tentando fingir que está tudo bem, que superamos. Balela. Lá no fundo, bem no fundinho, o coração sangra. E toda noite essa ferida abre um pouco mais.

Meu luto virou doença. Procurei diversos tipos de ajuda. Muitos remédios, alguns mais amargos que a própria dor de estar em luto. E de nada adiantou. Meu coração continuava sangrando por uma escolha que ele mesmo fez anos atrás.

Arrependimento??? Provavelmente!!!

Difícil conviver com a responsabilidade de dar o ponto final numa história que durou tanto tempo e foi tão bonita, me fez tão feliz, tão completa, tão realizada, tão VIVA!!!

Mas quem é capaz de deixar esse mesmo amor que te fez tão feliz agonizando??? Quem teria coragem de deixá-lo morrendo aos poucos só por egoísmo!?!?!

O peso do meu luto foi maior porque foi eu quem deu o tiro de misericórdia....isso gerou algo mil vezes pior que o luto: A CULPA! E assim como fui capaz de exterminar o que me fez tão feliz, fui mais competente ainda em julgar, condenar e aplicar a mim mesma a pior de todas as penas, sentir culpa.

Acho que cansei, não tenho mais força pra sofrer e cumprir essa sentença. Ou melhor, acho que já cumpri o que tinha que cumprir. Certo ou errado, eu paguei minha pena.

E da mesma forma que percebi que tudo isso era luto, também entendi que ele, o luto, havia terminado. E, embora cheia de medo, quero viver esse imenso caminho que se abre na minha cara, como se me dissesse: "vem!!! eu te guio! Não é pior do que esse caminho que trilhou por tanto tempo no meio das sombras".

É o que pretendo fazer agora, com essa tal liberdade, fora das grades. Tal como o detendo que está quites com a Justiça dos homens, estou quites com meu coração. É hora de viver a liberdade. É chegada a hora de amar de novo.

Um comentário:

  1. Tânia Mello, grande amiga, cuja amizade me honra muito, tentou postar esse comentário, mas por não ter uma conta Google, postarei suas palavras na minha conta:

    "Cris, estou feliz em te conhecer um pouco mais. E não sabia que escrevias tão bem. Parabéns, amigaaaaaaa!!!! Obrigada por compartilhar comigo os teus sentimentos, segredos, vontades, sonhos, almoços, amigas, dores, tpm's, alegrias, e mais um 'turbilhão' de coisas que fazem parte da nossa amizade. Gosto muito de ti. Grande beijo. Tânia de Mello"

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