Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem
Fiquei muito muito chocada e triste...pois não era fantasia, era verdade.
Mas muito pior que ficar chocada ao ler aquele poema, foi o que senti hoje ao ver essa cena que se repete diariamente pelas ruas de qualquer cidade grande. E o pior é que de tanto vê-la, aos poucos, vamos ficando indiferentes a tudo. Frios? Não sei. Paralisados talvez.
Porém hoje foi diferente, não sei dizer, mas foi como um soco na boca do estômago. Vi dois seres "humanos" catando comida nos lixos ao final do dia, cheirando, comendo, lambendo...pareciam bichos.
Que mundo é esse????
Por mais que me digam que isso faz parte de uma evolução maior, de um projeto reencarnatório, pelo qual a pessoa escolheu passar por tudo isso....jamais vou entender, ou melhor, aceitar ou me conformar com isso. Como um ser humano consegue viver abaixo da descência, da dignidade??? Feito bicho!!! E como os demais conseguem conviver com isso tudo sem se deixar tocar???
Eu chorei, literalmente, minha garganta fechou, meu estômago embrulhou, não pude conter as lágrimas...mas isso não me torna melhor que ninguém, nem ao menos mais humana. De jeito algum...isso apenas me faz pensar que essa vida é muito injusta e que eu desejo um futuro melhor pra humanidade. Se não for agora, pelo menos que seja um dia. Que possamos desejar mais do que presentes com fitas vermelhas.
Nessa época do ano, em que muitas mesas estão repletas de verdadeiros banquetes em nossas ceias, ter que catar comida no lixo, definitivamente, é muito triste...














