Antigamente, muito antigamente, os casais se formavam de uma maneira tão inocente, que nos dias de hoje os jovens dariam boas risadas só de pensar em usar tais meios. Estou me referindo aos códigos de flertes utilizados por nossos avós.Sim!!! Estou falando de muitas décadas atrás, século passado!
Se um rapaz se interessasse por uma moça, ele a flertava com doçura no olhar. Se fosse mais ousado, levantava o chapéu, um sinal de "oi, estou interessado em você!". E a moça? A moça dava um sorrisinho maroto e baixava o olhar logo em seguida. Isso estava implícito que ela o aprovara.
Pronto, estava dado o ponta pé inicial para uma aproximação maior. Mas não pensem que ficaria só nisso. Não, não! Em pouco tempo o rapaz deveria procurar a família da moça e pedir-lhe em namoro, oficialmente, ao pai dela. E era sua obrigação apresentar claramente à família suas reais intenções com aquela menina. Afinal, ela era uma moça de família e ninguém desejaria que ela ficasse mal falada na sociedade. Moça séria namora em casa, não na rua.
A partir daí começaria a melhor coisa de suas vidas: o namoro. E não estamos falando aqui de certas liberdades que estamos acostumados em nosso tempo. O namoro daquela época era vigiado. Digo mais: fortemente vigiado. Pegar na mão da menina??? Só se tivessem marcado a data do casamento.
A gurizada de hoje pode achar tudo isso muito engraçado, ultrapassado e careta. Éh, de certa forma até é mesmo. Mas o que perdeu totalmente a graça nos dias atuais é a falta daquele cuidado, daquele carinho e daquela delicadeza que os casais tinham naquela época. Ok, hoje temos liberdade que nossas avós não tinham. Entretanto, o preço que pagamos por essa liberdade foi alto demais.
Perdemos o verdadeiro sentido do amor: o cuidar do ser amado. Tudo é muito fulgaz. Me arrisco, inclusive, a dizer que é muito vazio. Hoje em dia moças e rapazes se procuram nas baladas. Eles se olham, trocam alguns sorrisos e, em segundos, o cara está ali, ao lado da guria com um papo furado qualquer ao pé do seu ouvido, só pra não "chegar-chegando" (afinal, ele tem educação não é mesmo?), e não dou 20 minutos para eles se entregarem num beijo cinematográfico que nem no Corujão iria ao ar. Acho que exagerei né...5 minutos e olhe lá.
Moralista eu? Nem tanto. Mas as relações modernas estão vazias sim. Podem criticar, mas por favor, me convençam que estou errada ou exagerando. Não quero que os tempos da minha vó voltem, mas quero um pouco mais de ternura.
Estes dias li que a movimentação planetária influencia até nisso, na vida afetiva coletiva. Vivemos a Era da Tecnologia e o culpado por isso é o planeta Netuno, que estacionou no signo de Aquário desde 1998. Tá bom, foi ótimo para a evolução dos aparelhos celulares, dos computadores e, claro, da internet (sem a qual eu não teria um blog), mas foi péssimo para os relacionamentos humanos, parece uma espécie de fobia a se relacionar. Exagero talvez, mas explica pra sua avó o que significa "ficar". A propósito, tenta explicar pra si mesmo. Mas com a graça de Deus Netuno está se mexendo e, em breve, ele vai rumar para o signo de Peixes (o signo da amorosidade). E alguém aqui sabe o que isso significa? Que a emoção está de volta e de quebra, o romantismo também. É o fim da era do ficar.
É uma luz no fim desse enorme túnel. Esperança para muitos valores que estavam perdidos e fazem muita falta, até mesmo para quem nem os conhece. Talvez existam mais pessoas do que eu sedentas de sentimento, envolvimento, cumplicidade e paixão. Apaixonar-se é um risco pelo qual vale a pena se arriscar. Chega de tanto individualismo e racionalidade. Vamos viver a era do Romantismo de coração aberto. Arrisque-se, entregue-se, pode dar certo.



