sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O TEMPO E A JABUTICABA - texto de Rubem Alves

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”,onde “tiramos fatos a limpo”.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:

“as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Será que virei gente grande?



Tô começando a desconfiar que me tornei gente grade, isso mesmo: adulto!!!

Um dia desses me peguei pensando que já não tenho mais aquela ansiedade da juventude, que faz a gente viver como se a vida fosse acabar no dia seguinte, e de repente, tudo toma uma dimensão tão grande e acaba virando um dramalhão mexicano. É uma urgência infindável de tudo. Calma, dá pra respirar bem fundo e ver que a vida faz a curva logo ali a frente, numa esquina qualquer. Ela não acaba depois da meia-noite. Pelo contrário, o sol volta mais lindo e mais forte no dia seguinte – se não estiver chovendo é óbvio. Se parar pra pensar, a vida nunca acaba, pois há reencarnação, mas aí já é papo para outro pôr-do-sol. E por falar nisso, ontem peguei um ônibus lotado e isso me deixaria muito irritada em outros tempos, mas ao contrário, aumentei o som do mp3 e curti o final do domingo pela janela do bus, saboreando o vento na cara pelo simples prazer de estar na estrada, mesmo que seja de Guaíba até POA.

Começo a pensar que preciso decidir certas coisas importantes para o futuro, como por exemplo: ser ou não ser mãe??? Eis a questão!!!! Acredito que 99% das mulheres tem isso bem resolvido e só esperam o homem dos seus sonhos, a realização profissional ou seja lá o que for, mas a questão para elas é somente QUANDO serão mães. Estou incluída nesse 1% que não sabe o que quer. Tem horas que sim, tem outras que não. Gostei de uma frase que ouvi no filme da Julia Roberts: “ter um filho é como fazer uma tatuagem na testa!”. É pra sempre! Isso foi por causa do chá de fraldas que fui no sábado, não adianta, acabo sempre voltando a essa questão.

Mas isso não chega a ser um problema, a única coisa que me irrita profundamente é o tal do relógio biológico, que mais parece um revólver apontado nossas cabeças dizendo: “seu tempo está acabando, decida-se logo por favor!”. Ainda bem que ter um filho depois dos 40 já não é tão perigoso assim. Ufa!!! Mas será que quero mesmo? Hehe, meu ascendente é libra tá, dá licença, decidir não é tarefa simples para mim.

Outra coisa que me vi fazendo e fiquei assustada: escolhendo cardápio e cozinhando pro almoço da semana!!! Quem me conhece sabe o que sempre digo: "eu não gosto de cozinhar, prefiro fazer doces". Pois é, acho até que estou gostando de cozinhar, já que meu organismo adoentado me forçou a isso, vou matar dois coelhos com uma cajadada só e economizar dinheiro.

Sempre adorei a história do Peter Pan e a idéia de nunca crescer, mas não dá né, tem encarar a realidade, o melhor disso tudo é saber que a criança interior está viva, ajudando nas decisões da vida adulta. E quanto às dúvidas, algumas têm que ser pensadas, mas não muito, por que no final das contas, a vida é como a carroça cheia de abóboras que, no caminho, se encarrega de acomodar tudo no seu devido lugar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nossa dependência virtual assusta

 São 11:36 da manhã de 20 de outubro de 2010. Começo a rascunhar alguma coisa no Word, pois é a única coisa que roda na minha máquina (computador) nesse exato momento. Há cerca de uma hora atrás, aqui no centro de Porto Alegre, tivemos várias quedas de luz. Na verdade, eu diria interrupções, ou melhor, tombos, e põe tombos nisso. A luz desligava e 2 segundos após ligava novamente, isso umas três ou mais vezes. Ou seja, causou uma espécie de AVC na máquina central que interliga todas as outros, seria o cérebro de toda a rede, sei lá, dessa área eu nem me arrisco a falar muito, só sei que travou tudo.

Mas enfim, o que quero com esse texto, além de matar o tempo, é filosofar (em vão!!?!?!) do quanto somos/estamos dependentes das redes de computadores. Três tombos de luz foram o suficiente para desestruturar o andamento de tudo. Não consigo imaginar isso há uns 10 ou 15 anos atrás, pois havia a máquina de datilografia (éh eu fiz um curso de datilografia, e me orgulho de contar isso hehehe), exceto as elétricas, não nos deixavam na mão assim. Há 15 anos eu era projetista, a mesa de desenho e as canetas nanquim não falhavam porque ficávamos sem luz.

Mas fiquem calmos, não estou querendo regredir, muito pelo contrário, eu aaaaaamo tecnologia (limpa é claro). E por falar nisso, olha que boa hora pra falar disso: meio ambiente. O quê? Sim, meio ambiente. Somos tão dependentes de energia elétrica que nem nos damos conta disso, a menos que ela falte. Mas não podemos mais pensar em fazer usinas e mais usinas, calma aí, e quanto isso vai custar daqui 10 ou 20 anos? As pessoas precisam se conscientizar o mais rápido possível que estamos todos interligados nesse planeta. A luz que eu uso no meu trabalho é proveniente de onde? Que danos causou ou vai causar ao meio ambiente? Continuará nos próximos anos?

Mas veja bem, a solução não depende só de mim e de quem concorda comigo, ela tem que entrar na cabeça de nossos governantes e tá difícil, eu sei. Infelizmente é a triste realidade. No entanto, não podemos desanimar, precisamos ter cada dia mais claro da importância de cuidar de tudo que envolve a questão ambiental. Nos educarmos e nos disciplinarmos para conseguirmos entender essa interligação complexa. Acredito que é possível sim um Mundo Sustentável, desde que todos aceitem que fazem parte e se dediquem mais a entender o que está acontecendo de fato com o mundo em que vivemos.

Agora eu vou publicar mais esse devaneio porque a Internet já voltou, kkkkkkkkk.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ação na Ilha dos Marinheiros - 17/10/2010


O domingo começou com cara feia, mas não adianta São Pedro, a ação sairia até abaixo d'água.
Logo cedo (cedo mesmo, 6:30h) o pessoal começou a montar o molho do cachorro quente. Chegamos por volta das 13h como havia combinado. Muito trabalho ainda por fazer: montar os cachorros quentes e colocá-los em caixas para terminá-lo na hora de entregar às crianças.

Participo do grupo Amigos Anjos há 4 anos e sempre me surpreendo (ainda bem!!!). Neste ano, a ação do dia das crianças teve um layout diferente, hehehe. Ao invés de entregarmos os brinquedos e, na saída, o lanche (quase sempre cachorro quente), inverteu-se a ordem e acomodou-se por grupos de crianças sentadinhas no chão e ali se distribuiu o lanchinho (hummmm aquele cachorro estava apetitoso, de dar água na boca). Após comerem o lanche, foram escolher seus presentes, as doações de todos que colaboraram conosco, seja com brinquedos usados ou novos. Daí, saído esse grupo, entrava outro grupo de crianças.

As mamães também ganharam lanche. No final dos trabalhos estávamos cansados, porém muito felizes em poder dar um pouquinho do nosso trabalho em prol dessa ação. Acho até que inventamos uma nova modalidade de ginástica: levantamento de cachorro quente!!!! Hehehehe.

É isso então, missão cumprida, coração feliz, até o Natal!!!!

Lembrando sempre que:

"SOMOS TODOS ANJOS DE UMA ASA SÓ E PODEMOS VOAR QUANDO ABRAÇADOS UNS AOS OUTROS"

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Feliz dia das crianças

Dizem que uma imagem fala mais que mil palavras certo? Então ao invés de texto, colocarei as fotos desse dia das crianças...




E vamos manter sempre viva a criança que existe dentro de todos nós!!!!!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

Obviamente, não perderia o tão comentado, e até esperado, novo filme da Julia Roberts. Assistiria de qualquer jeito, pelo simples fato de ser fã de carteirinha dela, mas também por outros motivos, pois trata-se de uma história verídica, cujo personagem quase principal é um brasileiro ou, mais especificamente, um gaúcho! Enfim, fomos ontem (Betinha, Gil e Eu), assistir o longa metragem.

Confesso que esperava ver apenas mais uma história com final feliz como tantas outras já rodadas nas telonas do cinema. Mas foi surpreendida. Hummmm será que o final não é feliz???? Será que o mocinho morre no final??? Descubra! Vá ao cinema! Se não gostar do filme, tudo bem, mas como apaixonada por cinema que sou, mesmo quando o filme é ruim, vale a fotografia, o som digital e toda magia de estar diante daquela tela gigante.

Voltando ao filme. Muuuuuuuitas pessoas, e isso inclui homens e mulheres, vão se identificar com a história de vida de Liz Gilbert, interpretada brilhantemente por Julia Roberts. Chega uma hora na vida de qualquer pessoa que é preciso se perguntar: o que eu quero de verdade da minha vida? Sou feliz? Muitos denominam de crise dos 30, meia-idade, que seja, a questão é que não adianta mais fugir disso. Admiro profundamente quem sabe o que quer da vida desde cedo e vai atrás de seus sonhos. Mas vamos combinar que raríssimas são essas pessoas né. A maioria se sente perdida, e o pior, por muito tempo, talvez uma vida inteira sem saber se está fazendo a coisa certa para si e para os que ama.

Sempre quis viajar o mundo e o filme mexe com esse desejo em quem nem sonha com isso. A gente sai do cinema pensando: um dia eu faço o mesmo. Tudo bem, talvez não façamos, mas a sensação é boa. Se eu conhecer boa parte do meu Brasil, já fico bem contente.

Tem uma cena que é hilária, quando Liz e sua amiga sueca vão a Nápoli comer pizza e a sueca tá preocupada com os quilinhos que já engordou na Itália, daí surge a teoria dos buchinhos, muiiiiiito boa por sinal, afinal eu também preciso desencanar um pouco com essa história de emagrecer, é nóia feminina pode ter certeza, em qualquer lugar desse planeta.

Após o filme fomos tomar uma ceva beeeem gelada, ahh polar é claro, afinal precisávamos falar do filme. Compartilhamos muitas reflexões, tal como a frase do guru de Bali: "É preciso perder o equilíbrio no amor para ter uma vida equilibrada".

Fiquei realmente impressionada com a questão levantada pelo companheiro de meditação na Índia, quanto ao peso emocional que carregamos por não sabermos nos perdoar, por não nos permitirmos viver a vida de uma forma mais leve, mais branda. O que não significa perder as rédeas da própria vida, longe disso, mas apenas perdoar os próprios erros, as frustrações, as escolhas erradas. A culpa, ahhh a maldita culpa! Aliás, outro dia uma amiga me falava que o sofrimento foi criado pelos seres humanos. Agora me diz pra quê? A humanidade se consome em sofrimento há milênios. Adianta alguma coisa? Vai saber? Mas o certo é que somos nossos piores algozes quando não nos permitimos se libertar desses sentimentos que só nos degradam dia após dia. Bem como a personagem do filme, nunca é tarde para irmos em busca dessas verdades. Melhor se pudermos viajar o mundo, do contrário, vamos viajar pra dentro de nós mesmo. Garanto ser uma viagem e tanto.

Quando Liz está na Itália, num almoço muito divertido com seus amigos de viagem, cada um se definem em uma única palavra. Liz só descobre a sua em Bali. Ontem à noite, mesmo com a ajuda da Polar beeeemmm gelada, ninguém conseguiu tamanho autoconhecimento, portanto, o máximo que consigui defenir, nesse texto, é o que tirei do próprio filme: SE ENTREGAR PRA VIDA!

ps.: claro que comecei a rascunhar essas ideias no boteco mesmo!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nosso Lar



Esse texto já estava no rascunho há dias, mas não me atreveria a digitar uma palavra sequer sem antes assistir ao filme. Pois bem, acabei de chegar do cinema e já fui ligando o computador, inspirada no Ministério da Comunicação. E por falar nele, será que existe psicodigitação? Aliás, essa palavra existe? Não sei, mas ela me veio à cabeça. 

Li o livro Nosso Lar há muitos anos, quando comecei a conhecer o espiritismo. Literatura básica e necessária. E o filme, embora muitos possam criticar que jamais se iguale ao livro, é lindo, maravilhoso, muito bom, de uma energia tão elevada, que nos emociona diversas vezes.

Quando li o livro pela primeira vez não tinha capacidade de entender metade do bendito conteúdo que ali estava. O véu que cobre nossas memórias é denso demais, mas se nos comprometemos a servir o outro lado como intermediários, interlocutores, ou seja qual for o nome que os médiuns recebem, mais cedo ou mais tarde, esse véu começa a se romper.

O filme nos faz repensar a vida. Ok, parece clichê, que seja, é verdade. Reforma íntima, essa foi a síntese que tirei do filme. Estamos na carne, na escola Planeta Terra, não precisamos esperar o desencarne para nos darmos conta do quanto podemos adiantar nessa longa caminhada de evolução espiritual. O Brasil foi o país escolhido para semear a filosofia da nova Era: o Espiritismo. Mas não devemos fazer dele uma nova religião e segui-la cegamente, sem questionamentos, como outrora foi feito com as outras. A doutrina espírita é extensa e ainda há muito a ser revelado aos encarnados, mas a mente humana não, é limitada e, facilmente, se deixa levar pelo medo, pela culpa, pelo sofrimento. Não é isso que esperam nossos irmãos iluminados de todas as cidades espirituais ao redor da Terra, tal como Nosso Lar. Não! Eles têm paciência até demais com nossa infantilidade e pouca fé. Temos na reencarnação a oportunidade exata para elevar o espírito através da reforma íntima. 

Reforma, eis a atitude esperada de nós e não é impossível. Podemos começar nos perguntando como estamos vivendo a atual encarnação?! Será que estamos aproveitando bem essa oportunidade? Essa resposta é única, individual e intransferível. Não a devemos a mais ninguém além de nós mesmos. Possuímos em nossas mãos a chance de mudar agora, o caminhar é lento, eu sei, mas nunca é tarde para iniciá-lo. Como já disse nosso médium mais conhecido: se não podemos mudar o início, ainda podemos mudar o final.

Espero que outros filmes estejam a caminho do nosso planeta, tão carente de elucidações. Tenho certeza que o Alto já está providenciando tudo. Claro que está, pois mudanças já começaram, é uma espécie de revolução. Desde que começaram a falar em 2012 e fim dos tempos, tive uma impressão: o mundo não vai acabar, ou talvez vá, mas não da forma como conhecemos. Não se trata do fim físico do planeta, mas do fim desse pensamento que não se encaixa mais. Mas tudo bem, isso é só mais um dos meus devaneios, afinal, é pra isso que serve esse blog né . E que assim seja.


domingo, 3 de outubro de 2010

A festa da democracia

Eu sei que a frase é mais velha que minha vó...mas ela sintetiza mesmo o que vivemos ontem nas eleições do primeiro turno, podendo exercer nossa cidadania ao escolher nossos governantes. Mas por que festa? Porque foi tranquilo, civilizado, pelo menos na seção onde trabalhei.

O dia começou cedíssimos para todos nós que trabalhamos nas eleições, tudo bem, nos candidatamos, foi voluntário. Mas não muda o relógio, era cedo pra caramba, 7h tínhamos que estar lá.

Mas tudo bem, o negócio era não se atucanar, fazer tudo com calma, com respeito a todos os eleitores e entre nós da mesa. Não tenho como agradecer, foi uma conexão muito boa entre os quatro integrantes, todos se dedicaram ao máximo, Graças a Deus não houve confusões e todos participaram igualmente, com muita dedicação. Como falei na hora do encerramento:
EQUIPE NOTA DEZZZZZ.

A eleição de hoje foi exaustiva: seis votos. Mas quero registrar aqui minha constatação: pouquíssimas foram as pessoas que se enrolaram com tantos votos. Eles levaram colinha, ou sabiam mesmo de cabeça, mas a questão é que não demoraram tanto como estavámos esperando. Parabéns a todos, parabéns ao Brasil e que venha o 2º turno, pois agora será um único voto!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Tio do Pastel

Quem circula pelas redondezas da Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre, já ouviu falar do Tio do Pastel, isso se não o conhecer pessoalmente. É figura conhecida da região. Ele vem com sua caixinha de engraxar sapatos na mão e quando te enxerga sai logo perguntando: “por acaso tu não tem dois reau pra almoçar um pastel?”.

Dias desses, 9:10h da manhã, a passos largos, quase correndo, atrasada para chegar no trabalho (pego às 9h), passei por ele. De pronto: “por acaso tu não tem dois reau pra almoçar um pastel?”. ALMOÇAR???? – perguntei. Mais rápida ainda foi sua resposta: “Ta, mas não tem dois reau?!”

Diariamente encontramos o Tio do Pastel e sempre ele pergunta a mesma coisa e sempre eu nego. Prefiro comprar o pastel e dar a ele então, sei lá, é minha filosofia anti-esmola. Vai saber. Certa feita ele veio e como a pergunta dispara automaticamente toda vez que ele detecta a presença humana, ouvimos ““tem dois re...é não tem!”. Foi hilário. Minha amiga caiu na risada e disse que minha cara deve assustar o pobre do tio. Aih, não era essa a intenção, só não quero dar esmola tchê.

Mas enfim, o Tio do Pastel é figura registrada do centro da cidade, daquelas que viram lenda, tipo o Velho do Saco ou o Bicho Papão. Daqui pra frente vou dizer para minha sobrinha que se ela não obedecer a mamãe, eu vou chamar o Tio do Pastel. Parece que tô vendo aquela carinha fofa, com os olhinhos brilhantes, me dizendo: "pastel Tia Kisy"! E eu caindo na risada logo em seguida.....ou seja, como isso funcionaria???

Mas pelo menos fica a ideia, já estava na hora de criar novos personagens para o mundo infantil né. Agora se vai assustar ou divertir a criançada eu não faço a menor ideia.