Há alguns dias atrás descobri o que até agora nenhuma psicóloga, psiquiatra, xamã, feiticeiro ou qualquer coisa do tipo jamais descobriu: Meu coração estava em luto! Foi algo muito claro, quase que ouvi Deus me dizendo: "Sai desse luto minha filha!"
Luto? Quem morreu?
O amor morreu....por muitos anos sofri um luto que parecia não ter mais fim. Acho que não queria aceitar a morte do amor que senti por tantos anos. Talvez fosse como admitir que tudo se foi. Sim, de fato tudo se foi, ficou no passado, é só uma lembrança. Mas há uma lembrança. Por pior que seja sentir saudades, eu tenho do que lembrar, eu vivi aquela história e tudo foi real, foi verdadeiro, intenso, mas morreu.
Sempre tive grande dificuldade em lidar com a morte. Ela é invencível não é mesmo? Ninguém pode com ela. Mas pior não é encarar a D.Morte, pior mesmo é seguir em frente. Quando perdemos um ente querido, por mais que a dor pareça não ter fim, mais cedo ou mais tarde nos conformamos.
É difícil dizer o tempo que leva. E muitas vezes mentimos pra nós mesmos, tentando fingir que está tudo bem, que superamos. Balela. Lá no fundo, bem no fundinho, o coração sangra. E toda noite essa ferida abre um pouco mais.
Meu luto virou doença. Procurei diversos tipos de ajuda. Muitos remédios, alguns mais amargos que a própria dor de estar em luto. E de nada adiantou. Meu coração continuava sangrando por uma escolha que ele mesmo fez anos atrás.
Arrependimento??? Provavelmente!!!
Difícil conviver com a responsabilidade de dar o ponto final numa história que durou tanto tempo e foi tão bonita, me fez tão feliz, tão completa, tão realizada, tão VIVA!!!
Mas quem é capaz de deixar esse mesmo amor que te fez tão feliz agonizando??? Quem teria coragem de deixá-lo morrendo aos poucos só por egoísmo!?!?!
O peso do meu luto foi maior porque foi eu quem deu o tiro de misericórdia....isso gerou algo mil vezes pior que o luto: A CULPA! E assim como fui capaz de exterminar o que me fez tão feliz, fui mais competente ainda em julgar, condenar e aplicar a mim mesma a pior de todas as penas, sentir culpa.
Acho que cansei, não tenho mais força pra sofrer e cumprir essa sentença. Ou melhor, acho que já cumpri o que tinha que cumprir. Certo ou errado, eu paguei minha pena.
E da mesma forma que percebi que tudo isso era luto, também entendi que ele, o luto, havia terminado. E, embora cheia de medo, quero viver esse imenso caminho que se abre na minha cara, como se me dissesse: "vem!!! eu te guio! Não é pior do que esse caminho que trilhou por tanto tempo no meio das sombras".
É o que pretendo fazer agora, com essa tal liberdade, fora das grades. Tal como o detendo que está quites com a Justiça dos homens, estou quites com meu coração. É hora de viver a liberdade. É chegada a hora de amar de novo.


Tânia Mello, grande amiga, cuja amizade me honra muito, tentou postar esse comentário, mas por não ter uma conta Google, postarei suas palavras na minha conta:
ResponderExcluir"Cris, estou feliz em te conhecer um pouco mais. E não sabia que escrevias tão bem. Parabéns, amigaaaaaaa!!!! Obrigada por compartilhar comigo os teus sentimentos, segredos, vontades, sonhos, almoços, amigas, dores, tpm's, alegrias, e mais um 'turbilhão' de coisas que fazem parte da nossa amizade. Gosto muito de ti. Grande beijo. Tânia de Mello"