sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tentando ter uma vida mais leve

Vou falar logo de cara para que não se decepcionem lá no meio do texto: não se trata de nenhuma dieta milagrosa para perder 10 kg em 5 dias, dicas de fitness que aumentam em 1000% seu bumbum ou a última técnica para ter uma barriga de tanquinho. Estou falando de levar uma vida mais leve, no sentido de viver com qualidade e sem estresse, com mais sossego.

Estou lendo um livro maravilhoso, A arte de ser leve, de Leila Ferreira. Fiquei sabendo dessa obra numa reportagem que vi num jornal aqui do Sul. Foi aquelas coisas que alguns chamam de coincidências da vida. Eu tava numa fase híper estressante de minha vida e uma grande amiga separou aquele caderno pra eu ler. BINGO! Era mesmo o que eu precisava e não perdi tempo, comprei o livro na mesma semana. No entanto, eu ainda não o terminei.

Sou louca por livros, tenho fome de livros e todos que me agradam muito, como esse, eu procuro comprar o mais breve possível e já saio lendo da livraria; porém, não tenho essa mesma voracidade para terminá-los. Eis um terrível defeito que tenho: não consigo terminar os livros que começo. Mas esse ano estou dando jeito nisso...

A arte de ser leve, entretanto, prega justamente isso: ser leve! Chega de estresse e de coisas que fazemos por obrigação. Merecemos uma vida mais simples e descomplicada. Tenho certeza que é por isso que, no caso desse livro, eu estou lendo em doses homeopáticas, degustando vagarosamente cada capítulo, sem aquela pressa que nos derrota diariamente. Não percebemos, ou sim e não lutamos contra, mas vivemos numa velocidade tão alta que nem radar conseguiria medir. E para que tudo isso? Para aproveitar melhor o dia? Distribuir o tempo? Acho que não. Isso tudo só serve para uma coisa: nos enlouquecer!

Exagero? Não! Verdade absoluta. Nunca vi tempos tão difíceis como agora. Já passei por tantas peleias nessa minha modesta vidinha, mas a coisa tá feia pra todo mundo. E pior, tudo é culpa do tal do estresse. Balela!!!! Estresse cansa e atrapalha mesmo, mas o buraco é mais embaixo, é uma tensão existencial tão forte que nem percebemos sua influência, daí colocamos a culpa no trânsito, no trabalho, nos relacionamentos ou na falta deles. Mas no fundo, no fundo, parece que falta sentido de vida. Ok, falo por mim. Eu sei o que quero da minha vida, mas a espera destrói qualquer paciência budista. O detalhe é que não sou budista, tampouco sei meditar e no meio dessa loucurada toda inviável tentar começar agora.

Quando eu era criança não percebia essa angústia em meus pais, tios e primos mais velhos. Talvez ela sempre tenha existido, mas creio que de forma mais suave. A tecnologia que nos deu tantas possibilidades de comunicação, nos conectou com o Mundo, também nos escravizou. Se esquecemos o celular em casa parece ser o fim do mundo. Nem telefone fixo eu tinha em casa quando era pequena. A preocupação de minha mãe era que eu comece a comida toda. Hoje em dia eu como tudo e quero mais...isso se chama angústia. Eu passo o dia todo com o Outlook aberto e de olho se a cartinha aparece no canto direito da tela. Se o assunto é bom, legal; se é chatisse, afff, deleto e nem leio...mas se não chega nada, JESUS CRISTO, ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me manda um emailzinho!!! Ontem no almoço presenciei uma cena que me chocou: uma moça digitando em ritmo frenético em seu tablet, até aí tudo bem, o detalhe é que entre ela e o aparelhinho estava um prato cheio de comida, que ela devorava entre uma digitação e outra.

Onde vamos parar hein? Eu tenho medo do futuro. Mas por outro lado, fico feliz de perceber isso agora, no presente e poder buscar ajuda, que vão dos florais até livros de auto-ajuda ou uma cervejinha bem gelada em boa cia. Ou até mesmo digitando texto no meu blog. Acreditem, isso me distrai de um jeito que virou até terapia. Não me importam os rótulos, eu quero me livrar conscientemente das angústias que, vez ou outra, insistem em me atormentar e tornar a vida mais densa e pesada.

Quero uma vida mais leve.


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