sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dividindo o pão? Não!!! As nozes...

Por volta dos 10 anos, minha mãe me levou à Paróquia da cidade e me matriculou no curso de Catequese, já que toda criança "tem" que fazer. Uauuuuu!!! Aquilo me causou uma emoção indescritível, pois eu teria a liberdade de ir sozinha às aulas toda semana.

Na cidade que eu morava quando era criança, dificilmente se usava o transporte público para esses deslocamentos. Tudo era relativamente próximo. Eu tinha a opção de ir de bici (bicicleta), ou a pé mesmo - o que eu achava mais interessante porque aproveitava para observar tudo: lojas, pessoas, vitrines, tuuudo.

Então toda semana eu ia para minha aula de Catequese. Impressionante, mas lembro o nome da professora: Maura! Como pode né?!Não demorou muito para aquela turma se entrosar e formar uma gangue. No bom sentido é claro!

Logo, ir para essas aulas se tornou o evento da semana para mim, creio que para os outros também. Chegávamos mais cedo para brincar no pátio da Igreja, que era imenso. E foram meses desses encontros semanais. Lembro que após o Dia das Mães, o parquinho que sempre ia na cidade, acabou deixando para trás um de seus brinquedos. Pra quê!!!! Aquilo foi a sensação da criançada. Era um tipo de balancinho gigante, mas os meninos puxavam com toda força e depois pulavam em cima e todos se rodopiavam antes da aula.

Tinha um Padre muito legal. Ele era jovem e muito amigão da turminha. Eu adorava o Padre Geraldo...e logo depois, ou antes, agora não lembro ao certo, tinha uma novela que o Nuno Leal Maia fingia ser padre e era chamado de Padre Garotão. Ele brincava com a gente, dando um empurrãozinho lomba abaixo nos papelões. Adorávamos aquilo. Ou arriscava jogar uma bolinha com os guris. Bolinha porque ele não jogava pra valer, nem um jogo inteiro. Mas ele sempre fazia questão de compartilhar alguns minutos do seu tempo com aquela gurizada faceira que iniciava a vida dentro do ambiente católico.

Porém, sempre há um porém, existia outro padre na Igreja, o titular do posto. E óbvio que ele era um rabugento, senão essa história não teria a menor razão de ser contada aqui. Ele tinha uma cara sisuda, sempre fechada. Parecia que tinha um espinho cravado no pé o tempo todo. Para uma criança isso é sinônimo de "chatice". Me perdoem os tímidos, mais sérios ou que detestam crianças, mas esse padre não era pessoa muito querida por nós. E ele também fazia por merecer nossa, digamos assim, antipatia infantil.

Lembro de um episódio que marcou muito essa época de minha vida. No fundo do pátio da Igreja, na frente da sala de aula, havia um pé de nogueira recheado de nozes. Era uma árvore majestosa, linda e enorme. E num bando de crianças juntas sempre tem um líder para dar ideias né, rssssss. E uma dessas ideias era atirar pedras ou pedaços de madeira e galhos que arrancassem da árvore seus deliciosos frutos. A bagunça era geral. Aquela algazarra obviamente.

Certa tarde, o padre ranzinzo chegou bem na hora da folia. Pra quê?! Ele mandou todos se sentarem numa muretinha que tinha e foi, um por um, perguntando se estava arrancando frutos da árvore. E todos responderam que sim. Daí ele nos deu um sermão (extra né, porque também fazia isso nas missas de domingo), eis uma coisa que sempre questionei: por que eu tinha que ir na missa todo domingo pra ser xingada??? Mas voltando ao extra daquela tarde, ele disse que não deveríamos ter aquele comportamento de marginais. Pára tudo!!! Marginais????? Agora ele pegou pesado, muito pesado. E juro, foi o que ele disse. E mais, nos proibiu de chegar perto daquela nogueira.

A indignação foi geral e até hoje lembro da minha nobre constatação: "se Jesus mandou a gente dividir o pão, por que esse padre não podia dividir a noz com seus pequeninos irmãos???".
Nem preciso dizer que rezei muito a Deus para que ele não fizesse nossa Primeira Comunhão. E acho que Deus também não gostou da atitude daquele obreiro, pois foi celebrada pelo Padre Garotão, digo, Geraldo.

Final da história.
Amém.

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