quarta-feira, 30 de março de 2011

Histórias de vidas simples

 
No meu trabalho convivo, diariamente, com muitas pessoas, pois atendo meus colegas que desejam se aposentar. Apesar de sempre virem com a mesma energia: estou cansado, já fiz minha parte, quero ir embora curtir a vida, sempre tem um que se destaca com sua história de vida peculiar. Na real, toda história de vida é peculiar, mas nem todos têm sua luz tão vibrante assim para que possamos interagir outro assunto que não seja aposentadoria.

Hoje fui positivamente surpreendida logo cedo ao atender um colega do interior do estado. Ele chegou de mansinho, estava com dor no olho, vindo do atendimento médico, ainda sob efeito do remédio que lhe deixou meio zonzo.

Fiz meu trabalho e vimos que ainda faltam cerca de 4 anos para ele se aposentar. Normalmente, dou essa notícia com cautela, pois um mês parece uma eternidade para quem não agüenta mais, porém esse colega me disse: “o que são quatro anos? Isso passa tão rápido! E pra quem trabalha desde os 9 anos de idade, que são mais 4 anos né?!”. Acostumada a ouvir as queixas e lamentações, fora as irritações, dos colegas que não conseguem mais levar o tempo que falta com leveza...esse homem me surpreendeu.

Eis uma pessoa em paz!

Como havia percebido o sotaque diferente do nosso, não resisti e perguntei: “o senhor não é daqui né?”

“Não, disse ele, sou de Pernambuco!”

Pronto, foi o suficiente para eu submetê-lo ao meu interrogatório, hehehe. Eu adoro ouvir histórias de vida, principalmente, das pessoas comuns. E descobri uma história de vida fascinante, um pernambucano que trabalhava numa fábrica de caixas de sapatos no interior, tentou a vida no maior centro comercial/financeiro do Brasil, se formou na faculdade de teatro de São Paulo, e após passar três meses com um espetáculo no Teatro São Pedro aqui em Porto Alegre, retornou ao Sul no ano seguinte para dar um curso e nunca mais retornou para São Paulo. Hoje trabalha no interior do estado.

Fiquei muito feliz em conhecer esse colega e sua adorável história de vida. Um artista no meio desse caos que é o serviço público. Espantoso!!! Ainda bem que ele conserva sua alma leve e em paz. Ainda bem que eu tive o prazer de conhecer essa história para me servir de exemplo. 

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