Por muito tempo acreditei que sim, mas estou me convencendo do contrário.
Não!!! Não estou melancólica, deprimida, tampouco pessimista. Muito antes pelo contrário, acho que nunca estive tão lúcida em toda minha vida, no que diz respeito a esse assunto.
Quando digo que sempre acreditei em almas gêmeas é porque acreditava mesmo, achava que todo ser humano tinha que encontrar aquela pessoa que o acompanha ao longo de muitas vidas. Sim, eu acredito em reencarnação, logo, em vidas passadas. Portanto, acredito que pessoas se reencontram em diferentes existências. Ou como explicaríamos aquela sensação, até mesmo certeza, de que já conhecemos um amigo, aquele que simpatizamos logo de cara? E o que dizer daqueles cuja frase mais apropriada é "meu santo não bate com o dele?" É reconhecimento de vidas passadas, com certeza.
Se reencontramos amigos e inimigos, certamente os amores também. E aí começa a confusão. Confusão? Como assim? Assim mesmo, confuso!!! Reencontrar e, o que é pior, reconhecer uma alma que já amamos em outra vida pode ser complicado demais. Pode ser, inclusive, muito triste. Por quê? Porque nem sempre trilhamos o mesmo caminho. E aí, o que fazer? Ir à luta, poderia alguém me responder em tom muito indignado (afinal, que pergunta idiota). Nem tão idiota assim, parece, mas não é óbvio.
Comecei a mudar meu ponto de vista com relação às almas gêmeas faz bem pouco tempo, pois decidi encarar a realidade de um jeito mais adulto, ou menos fantasioso.
Estou convencida de que há diversas maneiras de amar. Todos querem, embora poucos admitam, viver um grande amor e ser feliz para sempre. Mas como isso é possível se passarmos a vida inteira procurando uma única pessoa que sequer sabemos quem e como é? Como permitiremos que outras pessoas possam fazer parte dessa história atual, se somente uma (a alma gêmea) está predestinada a nos fazer feliz?
Não estou negando a existência desses reencontros, não é isso. Estou me convencendo que a gente pode sim reencontrar um grande amor de outra vida, amor esse que pode ter sido vivido em muitas vidas, mas que nessa tem somente a tarefa de nos mostrar que, dessa vez, seremos apenas almas amigas, e nossas vidas seguirão caminhos diferentes. Teremos responsabildades diferentes, com pessoas diferentes.
E lá viria um palpite certeiro: "mas então não era a alma gêmea!". E por que não? Gêmea ou não, o fato é que a gente sente a intensidade quando duas almas estão ligadas, mas se vão ou não viver juntas são outros quinhentos. A gente sabe quando está pensando na pessoa e, do nada, um email chega, ou "aquela" música que lembra a pessoa toca, ou até mesmo a própria pessoa te liga. E o que me dizer de esbarrar na rua, numa cidade tão populosa como a nossa?! Isso chama-se conexão! E não precisa estar junto, não é disso que estou falando, estou falando de mentes que se comunicam sem se combinar, simplesmente, se conectam, se acham no espaço. Aquele tipo de coisa que deixa a gente assustada e nos faz pensar: por que isso existe? Por que nossos caminhos estão separados? Então por que se reencontrar e se reconhecer se não é pra ficar junto? Porque se soubéssemos todas as respostas não teríamos o desafio de seguir em frente!
Precisamos aprender a amar mais, amar ao próximo, como Cristo ensinou, acreditar que é possível viver muitos amores em uma só vida, fazendo de cada um, um grande amor,sem ter que ser a alma gêmea.
Cada vez mais me convenço do quanto o amor verdadeiro liberta. Como na lenda do jovem casal de índios sioux, só é possível voar junto se romper as amarras.
Minha vida dá um livro, não duvido disso, e alma gêmea teria bem mais que um capítulo. Porém, ainda prefiro guardar estas adoráveis histórias em meu coração. Essas linhas foram só um pequeno desabafo de uma delas, certamente, a mais desafiante de todas e, no entanto, a que mais me fez crescer como ser humano. Como diria o Rei "a mais estranha história que algúem já escreveu", e sem sombra de dúvida: "das lembranças que eu trago na vida.....é saudade que eu gosto de ter...".

Nenhum comentário:
Postar um comentário