sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Reflexões da madrugada

No meio da madruga consigo sentir melhor as coisas. O silêncio da noite não me assusta, pelo contrário, me seduz e me instiga a observar o sono da metrópole gigante, que ao dormir parece uma inocente criança. Talvez não tão inocente assim, mas o que importa?

O burburinho do dia não nos permite ver a cidade da mesma forma que a percebo na calada da noite. É nessas horas que minha insanidade fala mais alto e meu eu se sente melhor -  no silêncio da noite.

Observo as ruas tranquilas, silenciosas, interrompidas pelo canto entusiasmado do sabiá nessas noites de setembro. Mas a maior sensação no meio da madrugada é a presença da Solidão. Aliás, eis aqui um ser incompreendido. Ser? Sim! A solidão para muitos é tão presente, que por pouco não toma forma viva. E se engana quem a considera má, ruim, negativa. A Solidão é uma grande amiga, aquela que ajuda os mais teimosos a enfrentar seus medos. Como? Colocando diante de si um infalível espelho que os obriga a olhar para dentro de si próprios.

Sem o agito frenético do dia não há como fugir dessa experiência enriquecedora. Passar a vida inteira fugindo de si mesmo é tão inútil, que só faz aumentar ainda mais a fuga até o ponto que não tem mais saída a não ser encarar o problema com coragem. É por isso que considero a Solidão uma grande amiga, pois auxilia silenciosamente esse encontro.

Aceitei a Solidão como companheira de muitas noites contemplativas. Aprendi a perceber o que ela tem de melhor e, acima de tudo, aprendi a olhar para mim mesma, pra dentro do meu ser. Quando parei de fugir de mim mesma entendi que jamais estive sozinha e que nem mesmo a Solidão era sinônimo de ausência. No fundo, tudo é um grande mal-entendido, um erro de interpretação, provavelmente feito por pessoas agitadas que se negam a parar um pouquinho e olhar com maior clareza o que tudo isso quer dizer.

Quando estamos no olho do furacão a tempestade parace que jamais terá fim. Ao longo desses anos aprendi que as tempestadas acabam e são bem menores do que parecem. E aprendi também que foi preciso viver tudo isso para que pudesse entender que a presença da Solidão foi o que me manteve viva, foi minha melhor companhia. Hoje percebo que jamais estive totalmente só, apesar de no momento achar que sim, talvez estivesse cega, pois não conseguia ver, nem ao menos sentir que sempre existiu um SER MAIOR vivo dentro de mim e além de mim. Dêem o nome que quiserem: Deus, Jeová, Alá ou krishna, mas é essa presença que nos situa e sustenta como parte integrante do Universo.

Hoje sou grata a tudo que vivi, por mais difícil, doloroso e quase insuportável, por vezes até enlouquecedor,  que tenha sido. É uma metamorfose diária, um constante estado de vigia, é um despertar de consciência. A mudança de atitude, de pensamento e de campo vibracional é lenta, mas possível. Nenhuma tempestade é infinita e o sol sempre volta a brilhar.

O passado serve para nos orientar daqui pra frente. Se desprender dele é questão de sobrevivência. Muitos erros foram necessários até chegar a essas conclusões, no entanto se culpar além de não resolver nada, só atrasa tudo. É um caminho árduo, mas todo mundo tem condições de seguir seus próprios desígnios. Hoje consigo entender também o sentido da palavra "resignação", porém peço desculpas por não saber expressar com palavras esse sentimento. Acho que é uma forma de consciência muito além do pensamento e da razão, algo a nível da alma.

Tem uma música da Paula Fernandes que combina bem com esse post, partes da letra dizem assim:

" Agora eu sou um vento só a escuridão
sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre
 ...
Estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu me transformo"

Nenhum comentário:

Postar um comentário