terça-feira, 2 de novembro de 2010

No dia dos mortos, eu acabo pensando nos vivos

Começo a escrever esse texto ainda com um nó na garganta após assistir uma matéria do Jornal do Almoço sobre como encarar a morte, em que até a apresentadora Rosane Marchetti não conteve as lágrimas. Eis um assunto complicado de ser abordado, inclusive para os espíritas, como eu. Afinal, embora a gente aceite a vida após a morte, a saudade é muito grande, o não poder tocar, abraçar, ter por perto aquele que se foi dói demais. A gente sabe que continua, mas o reencontro pode demorar muito tempo.

Na matéria apareceram duas pacientes terminais de câncer do Hospital de Clínicas, falando de como é ter a morte tão perto, já que não existe mais tratamento para sua doença. É horrível, emocionante, mas talvez seja uma maneira de dar mais valor à vida, aos que amamos e se preparar para essa passagem tão difícil pra quem vai e talvez, ainda pior pra quem fica.

Fiquei pensando no quanto reclamamos de coisas pequenas, como a falta de dinheiro ou de tempo, de coisas bobas que aumentamos exageradamente. A vida é tão curta, realmente o tempo é curto, passa voando, mas a qualidade com que vivemos a nossa vida é que faz a diferença. Ter saúde é algo que só damos valor quando perdemos. Eu mesma, desde metade do ano estou em volta com médicos e exames, mas com a graça do Bom Deus, tem remédio, tem tratamento, estou seguindo, me reeducando na alimentação, infelizmente tendo que deixar de beber aquela cervejinha gelada, ainda mais agora com o verão chegando. E a comida chinesa, que eu amo, nem pensar, dois dias passando mal. Mas como eu disse, tem saída, tem solução. Parece sacrifício, mas não é, pois quantos doentes daqueles da reportagem adorariam estar no meu lugar???

Fiquei pensando também nos vivos, como disse no título. Por que deixamos de dizer às pessoas que amamos que as amamos!!! Não sei dizer por que travamos quando o verbo é amar!?!? Existe um tabu em cima da frase: "eu te amo". Mas qual sentimento existe em uma amizade verdadeira ou entre familiares que não seja o AMOR. E como existem diferentes formas de amar, acredito que a amizade é a maneira mais gostosa de amar. Amigos se aceitam como são, não tem frescura, até tem cobrança, mas não prende, não escravisa. Também existe ciúmes entre amigos, mas muito mais leve e sabe por quê? Porque entre amigos não tem medo de perder! Pelo menos é o que eu penso. Amigos podem até ficar sem se falar por muito tempo, porque estão muito longe ou até muito perto, mas isso não enfraquece a amizade, mesmo que outros amigos entrem em nossas vidas.
 
Nesse dia de lembrar nossos entes queridos que já se foram, fica a saudade e vai o meu carinho, como no livro Violetas na Janela; mas, acima de tudo, espero sempre poder dizer o quanto amo meus amigos e meus familiares que ainda estão nesse plano.





Nenhum comentário:

Postar um comentário